Doenças odontológicas

Reabsorção radicular: tudo que você precisa saber

Reabsorção radicular

A reabsorção radicular é uma das queixas mais encontradas pelos dentistas no consultório odontológico. Desta forma, torna-se fundamental que os profissionais saibam agir corretamente nos casos de suspeita ou predisposição a fim de promover o melhor suporte ao paciente.

O que é e como acontece a reabsorção radicular?

Reabsorção radicular

O osso possui a capacidade de ser reabsorvido ou reconstruído consoante as necessidades fisiológicas. Contudo, a raiz dos dentes não apresenta essa capacidade, dado que não possuem as células osteomodeladoras.

O local possui cementoblastos, células especializadas em proteger a superfície do cemento. Logo, a reabsorção radicular ocorre quando a raiz do dente é exposta e danificada, levando a mobilidade do dente ou até sua perda completa.

Diante de alguma inconformidade, como, por exemplo, a aplicação de forças intensas, o ligamento periodontal sofre colabação, alterando a circulação sanguínea local. Deste modo, há o surgimento da necrose, fazendo com que os cementoblastos morram ou migrem para outros locais. A partir deste momento, a superfície do cemento se torna exposta à ocupação dos osteoblastos.

Reabsorção radicular óssea em diferentes fases da vida

Um importante momento da fase de crescimento é a troca do dente de leite para os dentes permanentes. Neste momento, a raiz do chamado dente de leite é reabsorvida, dando lugar à dentição permanente. Tal ocorrência é natural e normalmente ocorre em indivíduos entre 6 e 13 anos. 

Contudo, a incidência de reabsorção radicular em adultos é comumente relatada em consultórios odontológicos.

Nesses casos, o surgimento do problema se dá quando, por algum motivo, a raiz do dente é diminuída. Desta forma, uma raiz menor torna o dente mais propício a balançar e até mesmo cair.

Causas da reabsorção radicular

Existem diversas causas relacionadas ao desenvolvimento da reabsorção radicular. Um exemplo disso são os traumas aplicados nos dentes, como injúrias e luxações.

Nesses casos, ocorre uma reabsorção inflamatória observável pela modificação da cor da coroa do dente. Um tom rosado indica que está ocorrendo reabsorção radicular, enquanto um tom acinzentado sinaliza uma polpa necrosada. 

Outra causa importante são os dentes que sofreram periodontite. Nesses casos, os microrganismos do sistema de canal radicular promovem uma inflamação que pode gerar a reabsorção dos tecidos.

Ainda, o trauma químico causado pelo clareamento dentário pode causar lesões no tecido, expondo a dentina e induzindo o processo inflamatório.

Além disso, outra causa importante é o tratamento ortodôntico, que causa a movimentação radicular através da força. Pode ocorrer, com isso, uma inflamação das estruturas e a força exercida pode diminuir a oxigenação dos tecidos, levando a necrose.

Por fim, há relatos de que os dentes mais susceptíveis à reabsorção radicular são os incisivos centrais superiores, seguidos dos incisivos inferiores e primeiros molares inferiores, já que sua movimentação radicular é maior do que dos outros dentes.

Como diagnosticar reabsorção radicular?

Reabsorção radicular

Para investigar um possível diagnóstico do paciente quanto a reabsorção radicular, o dentista deve fazer a anamnese completa, recomendando exames radiográficos se necessário for.

Os indícios de reabsorção se dão pela ocorrência de traumas dentários e as morfologias radicular e da crista óssea alveolar. 

Ocorrência de traumas dentários

Durante a anamnese, o dentista deve questionar e observar a saúde dos dentes do paciente. O motivo para tal é a necessidade de investigar se algum dente sofreu traumas anteriores, que são fatores de predisposição à reabsorção. Desta forma, algumas situações merecem atenção, são elas:

  • Relato do paciente de trauma nos dentes (fraturas e pancadas, por exemplo);
  • Dentes amarelados
  • Dentes tratados pela endodontia 
  • Dentes com a porção incisal fraturada

Morfologia radicular

Ainda durante a anamnese, o dentista deve solicitar exames de imagem para analisar melhor a arcada dentária do paciente. Portanto, por uma radiografia, é possível que o profissional, análise a morfologia radicular do paciente.

A raiz dos dentes pode apresentar diversos formatos. Alguns deles apresentam menor predisposição a ocorrência de reabsorção, dado que lidam melhor com as forças aplicadas, são eles:

  • Raízes romboidais;
  • Raízes retangulares.

Nestes casos, a força aplicada nos dentes é melhor distribuída, prevenindo complicações.

Contudo, alguns favorecem o aparecimento da reabsorção, são eles:

  • Raízes triangulares/afiladas;
  • Dentes com dilacerações apicais;
  • Raízes curtas (a raiz é considerada curta se seu comprimento for menor do que o comprimento da coroa x 1,6).

Nesses casos, as forças ortodônticas são concentradas em pequenas áreas do periodonto. Desta forma, o dente se torna mais susceptível a reabsorção.

Morfologia da crista óssea alveolar

A crista óssea alveolar desempenha um papel importante na predisposição a ter reabsorção óssea, principalmente em indivíduos que fazem o uso de tratamento ortodôntico.

O formato que mais favorece estas movimentações é o triangular, promovendo uma maior capacidade de movimentação para os lados. Por outro lado, pacientes que possuem a crista óssea alveolar com formato retangular possuem a capacidade de deflexão diminuída. Desta forma, não se absorve corretamente a força aplicada pelo tratamento.

Diferentes graus de reabsorção radicular

A definição dos diferentes graus de reabsorção são uma ferramenta importante no acompanhamento odontológico do paciente. Assim, o profissional identifica a gravidade do caso.

Os graus de reabsorção radicular são:

  • Grau zero: ausência de reabsorção radicular;
  • Grau um: reabsorção radicular suave, apresentando uma raiz com tamanho normal, mas com alguns contornos irregulares;
  • Grau dois: reabsorção radicular moderada com contorno apical quase retilíneo;
  • Grau três: reabsorção radicular acentuada com grande perda radicular, sendo esta quase ⅓ do comprimento;
  • Grau quatro: reabsorção radicular extrema com perda de mais de ⅓ da raiz.

Classificação da reabsorção

Existem diversos tipos de reabsorções radiculares, classificadas para melhor entendimento. As classificações podem ser feitas quanto à área afetada e pelo mecanismo de ação.

Área afetada: a área afetada pela reabsorção pode ser interna ou externa.

Interna

A complicação se inicia pela parte interna, havendo comprometimento dos compostos responsáveis pela integridade do dente frente a ação de clastos. Nesses casos, não há manifestação de sintomas e o diagnóstico pode ser feito por radiografia.

Externa

Este tipo de reabsorção tem início em alguma porção do exterior do dente. Contudo, sua progressão é encaminhada para a região apical ou coronária, gerando maiores complicações. Esta condição também é assintomática e deve ser diagnosticada por radiografia.

Mecanismo de ação: O mecanismo de ação pode ser substitutivo ou inflamatório.

Substitutivo

Ocorre uma substituição da estrutura dentária por tecido ósseo.

Inflamatória

Nesses casos, a ocorrência de injúrias, luxações e pancadas comprometem a integridade dos tecidos, estimulando um processo inflamatório que leva à perda de tecido mineralizado.

Reabsorção radicular e aparelho ortodôntico

A realização do tratamento ortodôntico pode oferecer riscos aos pacientes que possuem a predisposição a desenvolver a reabsorção radicular. Isso acontece, pois o tratamento consiste na aplicação de uma força nos dentes, favorecendo a movimentação da raiz e induzindo uma inflamação.

É importante destacar, contudo, que enquanto a movimentação da coroa é pequena, o trajeto feito pela raiz é maior. Nestes casos, o dentista deve realizar um tratamento leve e defensivo de modo a adequar a mecânica do processo às capacidades do paciente.

Primeiramente, o profissional deve explicar todos os riscos do tratamento, inclusive da possibilidade de interrompê-lo se necessário for. Desta forma, o dentista deve formular um termo de consentimento livre e esclarecido e pedir para o paciente assinar. Assim, o profissional evita possíveis complicações judiciais futuras.

Durante o tratamento ortodôntico, o dentista pode ter pequenas atitudes que diminuem o impacto da movimentação do tratamento.

Primeiramente, este pode utilizar fios mais flexíveis e trocar seu calibre em intervalos maiores do que um mês. Isso ajuda a dar um maior tempo de recuperação ao ligamento periodontal. A desvantagem deste método é que por ser mecanicamente menos agressivo, o tratamento se torna mais lento, demorando mais para ser concluído.

Ainda, o dentista deve pedir com certa frequência (a cada três meses, por exemplo) radiografias periapicais, de modo a observar a saúde dos dentes. 

Por fim, se o dentista aplicar todas as medidas de prevenção e ainda sim o paciente desenvolver a reabsorção, o tratamento deve ser interrompido, dando um intervalo de 5 a 6 meses para haver a recuperação.

Tratamentos para a reabsorção radicular

As medidas indicadas pelo dentista para o tratamento da reabsorção radicular variam conforme a individualidade de cada caso.

Por um lado, as situações mais leves podem ser tratadas aliviando apenas os sintomas de dor. No entanto, nos casos mais graves, o profissional pode indicar a realização do canal radicular ou ainda a extração do dente. Ainda, uma medida bastante eficaz é a remoção do agente causador do dano, como o aparelho ortodôntico.

A reabsorção radicular é, na maioria das vezes, previsível. Logo, o dentista pode realizar a conduta odontológica específica para cada caso, evitando assim, complicações durante o tratamento.

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