Doenças odontológicas

Gengiva roxa: principais causas e tratamento

Gengiva roxa

A gengiva roxa é caracterizada como uma lesão que acomete tecidos da cavidade oral. Suas causas são variadas e necessitam de avaliação especializada para seu correto diagnóstico e tratamento.

Neste artigo, apresento quais as desordens mais comuns para a gengiva roxa, além de suas causas, tratamentos e origens das lesões.

Quais as causas da gengiva roxa?

Para descrever as causas da gengiva roxa, ressaltamos que as pigmentações gengivais azuladas, podem ser confundidas com as roxas pelo paciente. Portanto, é necessário o esclarecimento entre o dentista e paciente.

A gengiva roxa tem origem exógena ou endógena. Também apresentam proveniência fisiológica ou patológica.

A pigmentação de origem exógena tem início após o contato com um corpo estranho na mucosa oral, enquanto a pigmentação endógena advém da produção de melanina do indivíduo.

Esta última se dá pelo aumento de depósito de melanina, ocasionando a coloração roxa azulada, entre outras pigmentações.

A gengiva roxa também é causada tanto por fatores fisiológicos do indivíduo, quanto fatores patológicos deste.

Por que a gengiva fica roxa?

Geralmente a pigmentação gengival ocorre devido ao aumento do depósito de melanina. Portanto, outros fatores influenciam nesta pigmentação, dentre eles destacamos:

  • Hematomas causados por erupções;
  • Ingestão de metais pesados;
  • Tatuagens oriundas das restaurações de amálgama.

Quando devo me preocupar com a gengiva roxa?

A pigmentação roxa gengival requer a avaliação do dentista, para obtenção de um diagnóstico assertivo.

Na avaliação da pigmentação, deve-se obter o histórico médico e odontológico completo, incluindo o relato sobre o surgimento desta lesão, avaliação intra-oral, além de exames radiográficos e laboratoriais.

Contudo, é necessária a realização de biópsias para o diagnóstico diferencial em certos casos.

Patologias relacionadas a gengiva roxa

Primeiramente dissociaremos as patologias de acordo com sua origem.

As lesões arroxeadas exógenas, originadas pelo contato sistêmico com corpos estranhos são:

  • Hematomas ou cistos de erupção;
  • Tatuagem por amálgama;
  • Pigmentações relacionadas a medicações;
  • Pigmentação por contato com metais pesados.

Por outro lado, as lesões de origem endógenas arroxeadas são:

  • Periodontite;
  • Deficit nutricional;
  • Granuloma periférico de células grandes;
  • Sarcoma de Karposi;
  • Linfoma não Hodgkin;
  • Melanoma.

Contudo, outras pigmentações de coloração marrom, pretas e amareladas acometem a região gengival, e, igualmente, acometem partes distintas da gengiva como: mucosa jugal, palato e lábio.

Posteriormente a biópsia, a fim de determinar exatamente qual patologia relaciona-se com a lesão, deve-se realizar a análise histológica, pois esta define ao nível celular qual desordem origina-se a pigmentação, de modo a propedêutica indicada ao caso.

Lesões arroxeadas em gengiva de origem exógena

Em geral, para não ocorrer um diagnóstico errôneo, é importante observar aspectos clínicos, a fim de se evitar biopsias desnecessárias.

Portanto, podemos observar as seguintes características das lesões gengivais abaixo:

Hematomas ou cistos de erupção

Embora os hematomas de erupção possam estar relacionados ao nascimento dos dentes decíduos, ou seja, os dentes de leite, tais cistos acometem adultos, porém em poucos casos.

Caracteriza-se clinicamente pelo arroxeamento gengival na região do nascimento do dente, apresentando uma fina camada de tecido. Portanto, após a erupção dentária, a região retoma a coloração anterior, em condições saudáveis.

Tatuagem por Amálgama

A tatuagem por amálgama é a causa mais comum de pigmentação intraoral, pois anteriormente era a modalidade restauradora mais usual em reconstrução coronária.

Embora se indique a biópsia, esta lesão é observada por exames de imagem radiológica, facilitando-se o diagnóstico e tratamento.

Pigmentação por consumo de medicamentos

Em primeiro lugar podemos enquadrar alguns medicamentos como pigmentações de origem endógena, porém prevalecem como exógenos devido ao uso contínuo.

Ademais, os medicamentos causadores de lesões gengivais roxas tais como antimaláricos, antibióticos, anticoncepcionais, antifúngicos, barbitúricos e antineoplásicos apresentam relatos de pigmentações gengivais.

Pigmentações relacionadas a metais pesados

Certos metais pesados causam pigmentações gengivais devido ao consumo acima do tolerado pelo organismo. Portanto, ao cessar a ingesta, a gengiva volta ao ser aspecto sadio.

Além disso, materiais odontológicos geram esta coloração devido à translucidez do tecido gengival, tornando este um material visível. Enxertos conjuntivos e ósseos, por exemplo, recobrem o metal e este deixa de ser visível ao paciente.

Lesões gengivais roxas endógenas

As lesões gengivais de coloração roxa tem origens diversas assim como suas complexidades.

Primeiramente deve se realizar exames complementares a fim de um diagnóstico diferencial.

Entre eles, a biópsia, o laudo histopatológico, hemograma completo e exames de imagem, por exemplo, auxiliam no planejamento e manejo cirúrgico indicado para cada uma dessas patologias.

Periodontite e processos inflamatórios

A periodontite é a lesão gengival mais comum, apresentando coloração roxa devido a inflamações decorrentes da placa bacteriana (tártaro), todavia, a negligência ao tratamento pode levar a casos mais sérios, comprometendo a saúde do paciente.

Deficit nutricional e hormonal

Falhas nutricionais, bem como o desequilíbrio hormonal, também causam pigmentações gengivais de coloração arroxeada. O trabalho multiprofissional, bem como a adesão do paciente, auxiliam no desaparecimento destas manchas.

Granuloma Periférico de células grandes, Sarcoma de Karposi, Linfoma não Hodgkin e Melanoma

Granuloma periférico de células grandes, Sarcoma de Karposi, Linfoma não Hodgkin e Melanoma, são patologias tumorais, portanto podem ser malignas ou não malignas.

Em alguns casos, a realização da biópsia excisional, respeitando no ato cirúrgico, a remoção das margens de modo a evitar recidivas e/ou a sua proliferação sistêmica também representa o tratamento patológico.

Para ocorrer sucesso nestes tratamentos é de suma importância determinar o estadiamento da lesão maligna, para garantir o melhor prognóstico ao paciente.

O exame histopatológico também atua como diagnóstico diferencial, pois os aspectos clínicos dessas patologias se assemelham, portanto, para conduzir adequadamente e fornecer o melhor tratamento para o paciente, o estudo da diferenciação celular histopatológico é considerado de suma importância.

Concluímos que as preocupações acerca da coloração gengival arroxeada devem ser avaliadas pelo dentista, pois diante de exames de imagem, coleta sanguínea, anamnese médica e odontológica detalhada, determina-se a conduta assertiva para o tratamento e remissão dessa pigmentação.

Posteriormente, diante da necessidade de coleta de biópsia e laudo histopatológico, deve-se buscar o trabalho multiprofissional, a fim de obter melhor prognóstico e qualidade de vida do paciente.

É importante ressaltar que visitas periódicas para avaliações clínicas, bons hábitos de higiene e limpeza, como raspagem ultrassônica e a manutenção do autocuidado na observação de qualquer aspecto diferente no ambiente bucal, é uma forma de prevenção da gengiva roxa.

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