Doenças odontológicas

Endocardite bacteriana na odontologia: guia completo

Endocardite bacteriana odontologia

Causada por bacteriemia transitória, a endocardite bacteriana é uma doença sistêmica que afeta as válvulas cardíacas. Dessa maneira, é de extrema importância o conhecimento da endocardite bacteriana na odontologia, pois a diversidade da microbiota bucal é grande, e possui nela agentes causadores na bacteriemia. Confira!

Anatomia e camadas do coração

O coração humano é um órgão muscular oco, situado no centro do tórax, entre os dois pulmões, logo acima do diafragma. Ele representa a parte central do sistema circulatório, com o formato aproximado de um cone.

A principal função do coração é bombear sangue para o restante dos órgãos do corpo. Dessa maneira, o sangue fornece ao corpo humano oxigênio, nutrientes e auxilia na eliminação de resíduos.

As camadas do coração são os tecidos que compõem a parede desse órgão. Dessa maneira, de dentro para fora, elas são conhecidas por endocárdio, miocárdio e pericárdio.

  • Endocárdio: O endocárdio é a camada mais interna do coração. Ele é coberto por tecido epitelial e sua composição principal é baseada em células planas e finas. Por possuir uma superfície lisa, sua principal função é colaborar para que o sangue passe livremente sobre ela.
  • Miocárdio: O miocárdio é a camada média do coração e, no que lhe concerne, é a mais espessa. Isto posto, é considerado o músculo base, pois está localizado na parte interna do coração e é responsável pela contração do mesmo. É um músculo estriado involuntário.
  • Pericárdio: É a camada mais externa do coração. Nesta camada, estão localizados vários vasos sanguíneos importantes.

O que é a endocardite bacteriana

A endocardite é a denominação da inflamação das estruturas internas do coração, o endocárdio. Ela pode ser infecciosa ou bacteriana.

A endocardite surge quando bactérias circulam na corrente sanguínea e acabam se alojando em uma das válvulas cardíacas. Corações saudáveis também podem ser acometidos, mas ela é bem mais comum em pacientes com doenças em uma ou mais válvulas do coração, ou em indivíduos que possuam dispositivos protéticos, princialmente válvulas cardíacas artificiais.

Sempre que o paciente tiver uma infecção, principalmente em algum órgão interno, como pulmões, rins, articulações, intestinos, ele pode sofrer uma endocardite. Dessa maneira, infecções graves da cavidade oral e da pele, também podem dar origem a uma endocardite.

A bacteremia é um evento essencial para o surgimento da endocardite. Por isso, não se deve procrastinar o tratamento de infecções, sejam elas dentárias, na pele ou em qualquer outra região do corpo. Pois, quanto mais tempo uma infecção existir, maior será o risco destes germes alcançarem a circulação sanguínea. Uma vez no sangue, as bactérias podem se deslocar para qualquer ponto do organismo, incluindo as válvulas cardíacas.

Sintomas da endocardite bacteriana

Os sintomas mais comuns da endocardite são febre e calafrios. Na endocardite subaguda, outros sintomas inespecíficos são comuns, como falta de ar, cansaço, perda do apetite, dores pelo corpo e suores noturnos.

Nos quadros graves de endocardite aguda, a febre e os calafrios são intensos e o paciente rapidamente evoluiu com sinais de insuficiência cardíaca, com intensa falta de ar, incapacidade de ficar deitado e edemas nas pernas.

Se não for tratada a tempo, a endocardite infecciosa costuma destruir a válvula cardíaca acometida, levando o paciente a um quadro de insuficiência cardíaca aguda e grave. A endocardite é uma infecção grave, cuja taxa de mortalidade é próxima de 30%.

Como é feito o diagnóstico da endocardite bacteriana

O diagnóstico pode ser um processo complexo. Sendo assim, diante da suspeita inicial, o examinador pode observar um sopro durante a ausculta, além da febre. O sopro nada mais é que a turbulência do fluxo sanguíneo, que pode ser um mau funcionamento de válvula.

Dentre os exames complementares estão: exame de sangue, ecocardiograma, eletrocardiograma, radiografia do tórax e tomografia computadorizada

Tratamento da endocardite bacteriana

O tratamento da endocardite bacteriana é feito obrigatoriamente com antibiótico por via venosa, que deve ser administrados por, no mínimo, quatro semanas. Entretanto, a escolha do antibiótico adequado depende do tipo de bactéria alojada nas válvulas.

Nos casos mais graves, quando há destruição da válvula cardíaca pela infecção, uma cirurgia de troca valvar é necessária, com implantação de uma válvula artificial.

Nos indivíduos sob alto risco de desenvolver endocardite, é indicado o uso profilático de antibióticos antes de procedimentos que possam predispor a bacteremias. Sendo assim, portadores de válvulas artificiais, pacientes com história prévia de endocardite, doença valvar em transplantados cardíacos e pacientes com doenças cardíacas congênitas devem realizar a profilaxia. Em contrapartida, pacientes com prolapso de válvula mitral, mesmo com sinais de regurgitação, e lesões simples das válvulas, como estenoses e regurgitações, por exemplo, não são indicações para uso de antibiótico profilático.

De modo geral, indica-se uma dose única de 2 gramas de amoxicilina ou 500 mg de azitromicina 1 hora antes de procedimentos dentários, ou respiratórios.

Os procedimentos indicados para a profilaxia são: procedimentos dentários com manipulação de gengiva, mucosa oral ou região periapical dos dentes, procedimentos respiratórios que envolvam incisão ou biópsia, como broncoscopia com biópsia, remoção de amígdalas ou adenoides, pacientes submetidos a procedimento cirúrgico para tratamento de pele infectada ou tecido musculoesquelético, pacientes submetidos à cirurgia para colocação de próteses valvares cardíacas, materiais protéticos intravasculares ou intracardíacos.

Medidas de prevenção da endocardite bacteriana na odontologia

As principais medidas preventivas da endocardite bacteriana na odontologia, visam minimizar a bacteremia e a subsequente localização de bactérias no endotélio. Sendo assim, particularmente para as categorias de pacientes de alto e intermediário risco incluem: visitas regulares ao dentista, tratamento com antibióticos, sempre sob supervisão médica, evitando o surgimento de resistência bacteriana sem erradicar a infecção, atenção cuidadosa à higiene bucal e da pele, desinfecção completa de feridas, evitar piercings e tatuagens.

Procedimentos odontológicos são responsáveis por aproximadamente 40% das causas de endocardite bacteriana. Porém, a profilaxia antibiótica da endocardite só é recomendada em categorias de pacientes de alto risco, antes da realização de procedimentos odontológicos que requeiram manipulação do tecido gengival ou perfuração da mucosa oral.

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