Doenças odontológicas

Dor no siso: tudo que você precisa saber

Dor no siso

A dor é uma sensação desagradável que sinaliza que algo não está funcionando corretamente, sendo o motivo mais comum pelo qual as pessoas procuram assistência odontológica. Dentre essas dores, a dor na região do terceiro molar ou como os pacientes costumam sinalizar: dor no siso.

Neste texto vamos descrever tudo que você precisa saber sobre dor no siso.

Qual a função dos terceiros molares?

Para iniciarmos este texto, vamos te ajudar a sanar uma dúvida muito comum dos pacientes. Afinal por que temos os terceiros molares se é geralmente indicada a extração?

Portanto, na época pré-histórica, nossos hábitos alimentares eram muito diferentes. Os humanos tinham mandíbulas enormes (e fortes) e esses dentes, os terceiros molares ou dentes serotinos, ajudavam na mastigação de alimentos duros, como carne crua e plantas. Inclusive existia o quarto molar.

Sendo assim, os terceiros molares eram necessários e tinham bastante espaço para erupcionar. Com a evolução, o tamanho da mandíbula do homem moderno diminuiu, ocorreu a melhora da saúde dental, não sendo mais necessário mastigar alimentos tão resistentes.

Com isso, torna menos provável que os terceiros molares erupcionem e entrem em uma posição funcional. Em alguns pacientes não ocorre o surgimento deste elemento dental e em outros pode ocorrer a formação de um quarto molar, normalmente conoide.

Causas da dor no siso

Erupção

Falando especificamente do tema dor no siso, observamos alguns fatores que causam essa sintomatologia. Os dentes sisos (terceiros molares) são os últimos dentes a se formarem na cavidade oral. Estes dentes completam sua erupção entre os 15 e os 25 anos.

No total são 4 terceiros molares, 2 superiores e 2 inferiores que erupcionam de forma aleatória. Portanto, estando localizados atrás de todos os outros dentes, no término das arcadas dentárias em ambos os lados.

Sendo assim, a sua erupção pode ficar comprometida por falta de espaço e estes ficarem impactados ou semi-inclusos, gerando um quadro infeccioso inflamatório, conhecido por pericoronarite causando muita dor, inchaço facial, inchaço na gengiva, mau odor e irritação local. Portanto, levando o paciente a reclamar de dor no siso.

Pericoronarite e a dor no siso

A pericoronite é uma infecção do tecido mole associada à coroa de um dente parcialmente irrompido. Sendo mais comum em relação ao terceiro molar inferior, incluindo a gengiva e o folículo dental. Causa comum da dor no siso.

Qual a causa da pericoronarite?

Quando ocorre na região um depósito de alimentos e detritos, pela dificuldade de higienização do local, as bactérias orais se multiplicam rapidamente, sendo assim ocorre uma reação inflamatória resultante das toxinas liberadas por estas bactérias.

É classificada como pericoronarite aguda e crônica, e segundo alguns autores, ocorrendo complicações, estas serão de âmbito mais severo, causando situações de risco de vida. Portanto, o conhecimento a respeito deste quadro é muito importante.

Em alguns casos a solução pode ser fácil, mas existem risco de complicações graves.

Pericoronarite aguda

A característica da pericoronarite aguda é uma lesão supurativa, vermelha, inchada e sensível, com dor intensa e latejante que irradia para o ouvido, garganta, assoalho da boca, articulação temporomandibular e região submandibular posterior.

O paciente pode relatar também dor ao morder. A dor no siso é intensa, portanto, a dor pode perturbar o sono.

Outros sintomas são: queixa de dor durante a deglutição (disfagia), halitose, gosto ruim na boca e incapacidade de fechar os maxilares.

Inchaço e a dor no siso

Em suma, o inchaço da bochecha na região do ângulo da mandíbula fica evidente, podendo ocorrer o trismo. Assim como, quando há inchaço, o paciente passa a morder a região do opérculo, causando trauma e ulceração na região.

Complicações sistêmicas da pericoronarite aguda

Quando ocorre uma complicação alguns sintomas observados são: febre, leucocitose, mal-estar, linfadenopatia regional e perda de apetite. Em casos graves, a infecção pode se estender para os espaços adjacentes do tecido, na região submandibular. Nestes casos é importante agir com rapidez e analisar a possibilidade de hospitalização.

Pericoronarite crônica

A característica deste quadro são: uma dor incômoda, com leve desconforto, que dura por um dia ou dois. Pode ficar inativa por meses e posteriormente desencadear novamente um processo agudo.

Quando ocorre ulceração associada à pericoronarite crônica assemelha-se à gengivite ulcerativa necrosante. O paciente também se queixa de gosto ruim na boca.

Alterações hormonais como na gravidez, por exemplo, estão associadas ao aumento da ocorrência de pericoronarite.

Causada por trauma

Traumas ocasionados pelo terceiro molar superior sobre a mucosa superficial que recobre o terceiro molar inferior, parcialmente incluso, provocam inchaço, o que favorece ainda mais o traumatismo nessa região e a dor. Esse ciclo só é interrompido com a remoção do terceiro molar superior.

Cárie e dor no siso

Dentes parcialmente irrompidos ou giro vertidos promovem uma impactação persistente de alimentos abaixo do retalho peri coronário levando à dor periodontal. Portanto, podendo ocasionar cáries e pulpites (secundárias à cárie dentária), que também são consideradas possíveis causas de dor associadas a um terceiro molar.

Estresse pode aumentar a dor no siso

Estudos relatam que o estresse emocional influencia na instalação da pericoronarite, pois enfraquecem a mucosa bucal pela diminuição da resistência imunológica local, agindo de forma direta ou indireta.

A ação direta, é causada por proporcionar a vasoconstrição periférica com consequente alterações na vascularização dos tecidos gengivais, bem como alterações dos anticorpos. Além disso, ocorre a diminuição da secreção salivar. Esses fatores tornam o ambiente mais propício para o crescimento de agentes bacterianos.

Sendo assim, o estresse pode exercer também seus efeitos indiretos, resultantes da má higiene oral, dieta descontrolada, aumento do tabagismo e falta de sono.

Compressão de nervos faciais

Além destes itens, os terceiros molares podem ser responsáveis por fortes dores faciais e enxaquecas por comprimir os feixes nervosos, dependendo da sua posição dentro dos ossos maxilares.

Tratamento da dor no siso

O tratamento da dor na região dos terceiros molares, a dor no siso, ocorre com a higienização do local, remoção da causa e terapia medicamentosa. Sendo assim, minimizando a dor, inflamação e infecção.

O tratamento clínico da pericoronarite é conforme a intensidade da inflamação, das complicações sistêmicas, e a avaliação da necessidade de extração ou manutenção do dente afetado.

A indicação padrão de tratamento é a remoção do dente terceiro molar afetado, avaliando cada caso individualmente.

Na fase aguda da pericoronarite, alivia-se a dor do paciente com medicamentos (analgésicos, anti-inflamatório e em caso de necessidade antibióticos), associados a promoção da limpeza da região para evitar bacteremia ou septicemia no ato cirúrgico.

Em suma, bochechos com clorexidina a 0,12% ou água-oxigenada 10 volumes por 2 minutos duas vezes ao dia são recomendados. Se for possível pode ser realizada a irrigação da solução sobre o capuz coronário para remoção de restos alimentares e microorganismos.

Após a diminuição do edema e remissão da infecção realiza-se o procedimento cirúrgico necessário para o caso, que será a extração do elemento dental ou a remoção do opérculo em um tratamento mais conservador.

Conclusão

A dor é uma sensação desagradável que sinaliza que algo não está funcionando corretamente, dentre essas dores, a dor na região do terceiro molar ou como os pacientes costumam sinalizar: dor no siso.

Sendo assim, a causa mais comum da ocorrência da dor nesta região é a pericoronarite. Esta pode manifestar-se aguda ou crônica.

Normalmente o tratamento resulta na remoção do elemento afetado, associado a terapia medicamentosa e higienização da região, porém cada caso deve ser avaliado individualmente e em caso de complicações graves deve-se analisar a necessidade de hospitalização.

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