Doenças odontológicas

Dermatite perioral e a conduta do dentista

dermatite perioral

A dermatite perioral é uma doença que normalmente se desenvolve na boca e nas regiões adjacentes, sendo mais comum em mulheres entre 15 e 45 anos. Contudo, em casos mais graves, pode haver a evolução da condição para a área dos olhos, queixo e bochecha. Mesmo que esta condição possa ser tratada pelo profissional médico especializado em dermatologia, o cirurgião dentista exerce um papel fundamental nesta condição. Por este motivo, é de suma importância que os profissionais da odontologia tenham conhecimento acerca da dermatite perioral para auxiliar seus pacientes da forma mais eficiente possível.

O que é dermatite perioral?

A dermatite consiste na inflamação da pele do rosto que pode gerar lesões e coceira. Sua causa é desconhecida, mas pode ser influenciada por fatores como alergias, efeitos colaterais a diversos medicamentos, genética, banhos quentes e o contato com produtos como cosméticos, de limpeza e químicos. 

A dermatite perioral ocorre quando a inflamação acomete o redor da boca, atingindo uma dimensão variável consoante a gravidade do caso. Por atingir esta área, é comum que pacientes busquem o profissional da odontologia de modo a diagnosticar e tratar as irritações.

Causas

A causa da dermatite ainda é desconhecida, mas alguns fatores podem cooperar para o desenvolvimento desta, são eles:

  • Agentes infecciosos, como, por exemplo, os fungos responsáveis pelo desenvolvimento da candidíase e os ácaros Demodex;
  • Creme dental com flúor;
  • Gomas de mascar;
  • Mercúrio (amálgamas);
  • Radiação UVB;
  • Corticosteroides orais, tópicos e/ou inalatórios;
  • Medicamentos anticoncepcionais;
  • Alguns tipos de cosméticos, maquiagem e filtro solar;
  • Falta de higiene.

Além de fatores externos, algumas condições fisiológicas do organismo também podem favorecer o desenvolvimento da dermatite perioral, são eles:

  • Genética;
  • Alterações na barreira da epiderme;
  • Alterações no sistema imune da pele;
  • Doenças que comprometem as vias aéreas superiores ou prejudique a oclusão oral;
  • Gravidez.

Deste modo, esses fatores externos e fisiológicos cooperam para a descoberta, pelo profissional, da causa da irritação no paciente.

Medicamentos que podem causar dermatite perioral

A reação adversa de alguns medicamentos pode incluir o desenvolvimento de dermatite perioral. Desta forma, caso um paciente apresente o diagnóstico, é dever do profissional da saúde compreender as causas e, caso haja o uso destes medicamentos, estes devem ser suspensos. São exemplos destes medicamentos:

  • Betametasona;
  • Acetato de dexametasona;
  • Hidrocortisona;
  • Propionato de clobetasol.

Dermatite perioral é contagiosa?

Ao contrário do que muitos pacientes pensam, não há contaminação de dermatite perioral por contato. Isso acontece, pois as causas estão relacionadas a agentes infecciosos ou substâncias que irritam a pele. Além disso, pode também ser causados por alergia. Desta forma, não é possível haver contaminação de um indivíduo para o outro.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas da dermatite perioral incluem sensação de queimação da pele, irritação, coceira e a presença de pápulas. Ainda, o paciente pode relatar ardência, descamação e secura da pele. Ao perceber esses sintomas, este pode procurar um profissional da odontologia. Desse modo, o cirurgião dentista pode realizar um exame clínico para o diagnóstico. Primeiramente, este deve observar a aparência da inflamação. Se houver a presença de pápulas avermelhadas agrupadas na região perioral com tamanho entre 1 e 2mm, pode-se suspeitar da condição. Além disso, pode haver também a presença de vesículas ou pústulas.

A partir deste momento, o profissional deve identificar a causa da condição, que pode ter relação com a saúde bucal. Desta forma, o dentista deve questionar o paciente acerca do creme dental utilizado por este. Caso o produto contenha flúor, este deve suspender seu uso, pois esta pode ser a causa do problema, dado que o mineral pode causar irritação na pele. Depois da suspensão, deve-se observar a aparência da pele, se houver a melhora dos sintomas, constata-se que a causa pode ser o produto utilizado.

Tratamento da dermatite perioral

Depois do diagnóstico e descoberta da causa da dermatite perioral, o tratamento deve iniciar com a suspensão do agente causador da irritação, como os corticoides tópicos e os dentifrícios fluoretados.

Medicamentos para o tratamento da dermatite perioral

Quanto aos medicamentos, podem ser receitados antibióticos e anti-inflamatórios. Uma opção é o tratamento tópico, que pode ser feito com clindamicina 1% ou metronidazol 0,75 – 1%. 

Outro exemplo de fármaco para o tratamento, é a tetraciclina, cuja administração deve ser de 500mg de 12 em 12h por 3 ou 4 semanas, e depois reduzindo a dose por mais 3 ou 4 semanas. Um ponto importante que o profissional da odontologia deve se atentar é quanto à contraindicação deste, pois em crianças com menos de 9 anos, este fármaco pode prejudicar a pigmentação do esmalte dentário, afetando o osso. Desta forma, é papel do profissional da odontologia se atentar ao tratamento da dermatite para não haver prejuízos na saúde dos dentes.

Conduta do cirurgião dentista

O papel do profissional da odontologia, nos casos de dermatite perioral, é colaborar para o diagnóstico e descoberta da causa junto ao profissional da medicina especializado em dermatologia. Logo, fica a cargo do dentista a investigação acerca das possíveis causas da dermatite que possam incluir o dentifrício. Desta forma, se esta for a causa da inflamação, o profissional da odontologia deve indicar cremes dentais que não causem irritação.

Ainda, outra conduta importante do profissional é se atentar para que as crianças, principalmente, não tenham a esmaltação dos dentes prejudicada pelo fármaco responsável pelo tratamento da dermatite. Por este motivo, este deve ter a atenção ao medicamento receitado para não haver prejuízos na saúde bucal.

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