A classificação de angle é uma metodologia utilizada para fazer a avaliação da oclusão dentária de um paciente. O encaixe entre os dentes inferiores e superiores, estando bem alinhados e encaixados, determina se a oclusão dentária está correta. Porém, quando os dentes não se encaixam perfeitamente e ficam desalinhados, consideramos, portanto, a maloclusão.
Dessa maneira, o problema pode afetar a fala, a mastigação, a estética e até mesmo a fonética do paciente. As maloclusões são classificadas conforme os primeiros molares permanentes, pois estes possuem características que identificam as posições na arcada dentária.
Estudar a posição dos dentes e tudo que está relacionado a isso é o que todos os ortodontistas fazem para avaliar a oclusão dentária.
Toda vez que um paciente tem o diagnóstico de maloclusão, é utilizado a classificação de angle. Esta metodologia serve para avaliar o quanto a oclusão está afetando a mandíbula, a maxila, os dentes e também qual classificação encontra-se o paciente.
A classificação de angle como o próprio nome diz, é feita por classes. Dessa forma, podem ser classificadas de classe 1, 2 ou 3. Confira mais sobre o assunto!
O que é a Classificação de Angle?

A Classificação de Angle é um sistema de diagnóstico ortodôntico desenvolvido por Edward Hartley Angle, considerado o “pai da Ortodontia moderna”.
O método foi criado para categorizar as maloclusões a partir da relação anteroposterior entre os primeiros molares permanentes superiores e inferiores.
Na prática, o sistema avalia como ocorre o encaixe entre as arcadas dentárias. Quando existe harmonia entre dentes, maxila e mandíbula, considera-se uma oclusão normal. Já alterações nesse relacionamento caracterizam as maloclusões.
A classificação de Angle permanece extremamente relevante porque fornece uma linguagem universal para diagnóstico e comunicação clínica entre profissionais.
Qual a importância da Classificação de Angle?
A classificação de Angle é importante porque permite:
- padronizar diagnósticos ortodônticos;
- identificar alterações anteroposteriores;
- auxiliar no planejamento do tratamento;
- prever alterações funcionais e estéticas;
- facilitar documentação clínica;
- melhorar a comunicação entre profissionais.
Mesmo com os avanços da Ortodontia digital e da cefalometria, o sistema ainda é amplamente utilizado na prática clínica diária.
Chave de oclusão: conceito fundamental na classificação
Antes de compreender as classes de Angle, é essencial entender o conceito de chave de oclusão.
A chamada “chave molar” representa a relação ideal entre os primeiros molares permanentes superiores e inferiores.
Na oclusão considerada normal:
- a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior oclui no sulco vestibular do primeiro molar inferior.
Essa relação serve como referência para determinar se o paciente apresenta Classe I, II ou III.
As 6 chaves de oclusão de Andrews
O conceito moderno de oclusão também foi ampliado pelos estudos de Lawrence Andrews, que definiu as famosas 6 chaves de oclusão ideais.
As seis chaves são:
- Relação molar adequada;
- Angulação correta das coroas;
- Inclinação adequada das coroas;
- Ausência de rotações dentárias;
- Contatos interproximais adequados;
- Curva de Spee harmoniosa.
Esses critérios são extremamente relevantes no diagnóstico ortodôntico contemporâneo.
Como é feita a classificação de angle

No contexto da classificação de angle, existem as classes I, II e III, sendo a segunda com duas divisões.
Classe I ou neutroclusão
Esta classe é conhecida também por neutroclusão. Está diretamente relacionada ao mésio-distal, a relação correta entre os primeiros molares. Ou seja, esta situação apresenta a combinação entre as arcadas inferiores e superiores, apresentando somente desarmonia entre dentes e ossos.
Principais características da classe I da classificação de angle:
- Maloclusão não se encontra nos dentes molares, sendo na maioria das vezes encontrada nos dentes anteriores;
- Relação anteroposterior entre maxila e mandíbula normais entre si;
- Relação anteroposterior entre primeiros molares inferiores e superiores normais entre si.
Classe II ou distoclusão
A classe II também é conhecida como distoclusão, ou seja, a malposição dos arcos dentais primeiros molares superiores e inferiores, que é quando o arco inferior e superior encontram-se espacialmente distantes no ato do fechamento da maxila com a mandíbula.
Essa classe é dividida em 2, sendo:
- Divisão 1: A curva de spee apresenta-se com proporções acima da média, mais acentuado, mesmo os demais dentes molares estando alinhados. Desta forma, em alguns casos os dentes incisivos se projetam para frente, aumentando a distância entre os dentes superiores e os lábios (overjet), dando o aspecto “dentes para fora” na parte da frente das maxilas.
- Divisão 2: Neste caso os dentes incisivos superiores e inferiores normalmente não apresentam overbite. Ou seja, os dentes de cima cobrem os de baixo no fechamento da maxila com a mandíbula, portanto a aparência fica harmoniosa, pois não ocorre a projeção que acontece na divisão 1.
Classe III ou mesioclusão
Nesta classe, a oclusão dentária ocorre de forma que a arcada dentária inferior se projeta a frente da arcada dentária superior, ocorrendo a mordida cruzada.
Vantagens e desvantagens da classificação de angle
O sistema de angle é um método bastante eficaz e simples, pois é um método didático onde o ortodontista consegue dar ao paciente um diagnóstico preciso, e esta, é uma das grandes vantagens da classificação de angle.
Apesar das vantagens existentes no método, existem alguns pontos de desvantagem, sendo alguns destes, o fato de o método contemplar apenas os dentes permanentes (aparentes). Portanto, os dentes decíduos ficam fora dessa classificação. Outra desvantagem, é o fato do método também não considerar o grau da maloclusão.
Mesmo com todo o conceito e metodologia para a identificação da oclusão, é importante lembrar que a classificação de angle não considera alterações nos ossos e nos músculos.
Qual a importância da Classificação de Angle para o ortodontista?
Mesmo com novas tecnologias, o sistema continua indispensável porque:
- facilita triagem clínica;
- auxilia no raciocínio diagnóstico;
- padroniza documentação;
- orienta tratamentos ortodônticos;
- melhora comunicação acadêmica e científica.
Além disso, a classificação ainda aparece frequentemente em:
- concursos;
- especializações;
- residências;
- provas de Ortodontia;
- avaliações clínicas.
Conclusão
A Classificação de Angle continua sendo um dos pilares do diagnóstico ortodôntico moderno. Apesar de suas limitações, ela permanece extremamente relevante por oferecer uma avaliação objetiva e padronizada das relações oclusais.
Compreender profundamente as Classes I, II e III é fundamental para qualquer profissional da odontologia que deseja realizar diagnósticos mais precisos, melhorar o planejamento clínico e proporcionar tratamentos mais eficientes aos pacientes.
Na prática clínica atual, o ideal é utilizar a classificação de Angle associada à análise facial, cefalométrica e funcional, garantindo um diagnóstico completo e individualizado.