Materiais odontológicos

Antisséptico bucal: Como indicar corretamente para o seu paciente.

antisséptico bucal

Também conhecidos como enxaguantes ou colutórios orais, o antisséptico bucal é uma solução aquosa ou alcoólica contendo substâncias químicas usadas como complementação na parte mecânica da higiene oral dos pacientes.

Para fazer uma correta indicação de seu uso é preciso conhecer mais a respeito deste produto, afinal os antissépticos bucais podem possuir em sua formulação diversos princípios ativos, podendo ser indicados para controle de doenças ou alterações na cavidade bucal.

Neste artigo abordaremos algumas das dúvidas mais frequentes em relação ao uso de enxaguantes. Confira!

Todos os pacientes possuem indicação para uso de antisséptico bucal?

Ao contrário do que se acredita, nem todos os pacientes possuem indicação, cabendo ao profissional dentista avaliar atividade de risco que necessite de complementação por meio do uso de colutórios, bem como possíveis benefícios obtidos para ao paciente e também possíveis efeitos adversos relacionados ao uso destes.

Pacientes que possuem boa higiene bucal que fazem uso de dentifrício fluoretado e com boa alimentação não possuem indicação de uso de enxaguantes como forma de fluoretação adicional, uma vez que os efeitos desta adição serão muito pequenos. Sendo assim, é preferível indicar somente para pacientes que necessitam de exposição adicional ao flúor para controle de cárie ou erosão.

É importante também salientar que os antissépticos bucais não são indicados para crianças menores de 7 anos devido ao não desenvolvimento da habilidade de cuspir o excesso de produto, o que pode levar a deglutição de quantidade indevida de fluoretos, buscando desta forma evitar o desenvolvimento de fluorose.

O uso de antisséptico bucal substitui a etapa de escovação e uso de fio dental?

Não, porque o ato de bochechar ou gargarejar o enxaguante não atua removendo mecanicamente o biofilme aderido nas superfícies dentárias, bem como os restos de alimento que se sedimentam na língua. Portanto, somente o ato de escovar com uso de dentifrícios e o fio dental conseguem remover adequadamente o biofilme.

O enxaguante bucal, no entanto, atua na formação do biofilme de forma preventiva, mas ainda necessidade de desorganização mecânica prévia.

É importante salientar que em casos de pós-operatórios ou situações em que o paciente não consegue realizar a higienização mecânica dos dentes, pode-se lançar mão de bochechos em caráter temporário até que se possa retornar o hábito da escovação.

Por que o uso de enxaguantes com álcool em sua composição é contraindicado?

Os enxaguatórios possuem álcool em sua composição como solvente ou conservante. No entanto, a presença de álcool pode causar alguns efeitos adversos dependendo de como o colutório é utilizado.

Se houver ingestão de grande quantidade, por exemplo, ele pode causar alterações gastrointestinais; já em pequenas quantidades pode haver intoxicação crônica, causando fluorose em indivíduos no processo de formação dos dentes (crianças com menos de 7 anos).

O álcool também está relacionado com irritação de mucosas (mucosites) em pacientes com hiposalivação e deterioração de materiais resinosos. Desta forma, o uso diário de enxaguantes bucais é contraindicado para pacientes com restaurações estéticas, restaurações provisórias em ionômero de vidro e com peças cimentadas com materiais resinosos.

Há também contraindicação para crianças devido à possibilidade de ingestão e exposição precoce do paladar ao álcool e também para pacientes com histórico de alcoolismo.

Posso indicar antisséptico bucal após o clareamento para o meu paciente?

Se o objetivo for a redução da sensibilidade pós-operatória, os enxaguantes não trazem benefícios após o clareamento, então não há indicação de uso.

Quais são os tipos de enxaguatórios bucais?

  • Enxaguatórios Anticárie: São aqueles que possuem fluoretos em sua composição. Podem ser de uso diário (225 ppm F/ NaF 0,05%) ou semanal (9.000ppm F/ NaF 0,2%). Estes também são indicados para pacientes com risco de erosão devido à capacidade de reduzir desmineralização e ativar remineralização de estruturas dentárias pela saliva. Dessa maneira, a forma de uso é de 10 ml para crianças e 20ml para adultos, fazendo bochechos de 1 minuto sem ingerir ou lavar a boca após o uso.
  • Enxaguatórios Antimicrobianos: São aqueles que possuem substâncias que auxiliam no controle do biofilme, não atuando, entretanto, em biofilme já estabelecido, apenas na sua formação. Estas substâncias são a clorexidina (0,2% ou 0,12%), o cloreto de cetilpiridínio (CPC) e os óleos essenciais (Listerine).
    A clorexidina é a substância com maior evidência científica de redução de biofilme, atuando também na inflamação gengival e sendo a referência para outros produtos. Já os óleos essenciais não possuem a mesma capacidade de controle de biofilme. Entretanto, possuem boa ação anti-inflamatória, o que é favorável no controle de gengivite.

Quando devo indicar clorexidina para o meu paciente e como devo prescrever?

Deve-se indicar a clorexidina para casos que não exijam uso prolongado, devido aos seus efeitos adversos mais comuns como pigmentação dos dentes e alterações no paladar. Algumas situações:

  • Pós-operatório cirúrgico.
  • Antes e depois de exodontias. Ressaltando que não se deve realizar o bochecho, para não remoção do coágulo no alvéolo e sim imersão.
  • Durante tratamento periodontal.
  • Antes de procedimentos odontológicos.
  • Para pacientes hospitalizados.
  • Pacientes com mucosites por radioterapia/quimioterapia.
  • Tratamento de halitose.
  • Pacientes com comprometimento motor.

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