Doenças odontológicas

Alveolite: o que é, prevenção e tratamento

alveolite

A alveolite, também conhecida como osteíte alveolar, é uma infecção decorrente de complicações após a extração de dentes. A extração de dente é um dos procedimentos mais recorrentes nas clínicas odontológicas e esta infecção no alvéolo é responsável por causar dores intensas ao paciente, que pode questionar a habilidade e seriedade do profissional que realizou a cirurgia. 

Dito isso, esse artigo pretende apontar as principais informações sobre a alveolite para que dentistas consigam ter as melhores condutas para prevenir, tratar e orientar seus pacientes sobre esta infecção. 

1. O que é alveolite dentária? 

Primeiramente, é necessário reiterar o que é a osteíte alveolar. Ela é definida como uma dor pós-operatória dentro e ao redor do local da extração do dente, acompanhada por um coágulo sanguíneo total ou parcial dentro do alvéolo com, ou sem halitose. 

Além disso, existem 2 tipos de alveolite:  

Alveolite seca: 

É a complicação mais comum após a extração de dentes e ocorre com mais frequência nas faixas etárias entre 40 e 45 anos. Quando presente, os profissionais conseguem visualizar o alvéolo aberto com exposição ao osso alveolar, uma vez que o coágulo que deveria se formar, ou não formou, ou foi expelido antes da cicatrização completa. 

Essa infecção causa uma dor intensa no paciente, iniciando aproximadamente 2 a 3 dias após a extração, podendo se estender em mais 15 dias. 

Alveolite supurativa ou úmida:

Este tipo de infecção pode ser causada por reações a corpos estranhos dentro do alvéolo e se caracteriza pela desorganização do coágulo sanguíneo e pela presença de sangramento e secreção purulenta no local.

Diferentemente do tipo seca, a infecção úmida tende a ser menos intensa e duradoura, mas os pacientes podem apresentar febre, sudorese e mau cheiro acentuado na boca (halitose). 

2. O que causa a osteíte alveolar? 

Existem algumas possíveis causas para o surgimento desta infecção, que englobam tanto condutas inadequadas do profissional responsável quanto do paciente após a cirurgia.

 Sendo assim, as possíveis causas e riscos são:

  • Tipo e quantidade de anestesia utilizada na cirurgia de extração
  • Utilização de materiais não esterilizados da forma adequada
  • Infecção pré-existente no local da extração
  • Paciente fumante que não esperou a cicatrização para fumar
  • Má higiene oral após a cirurgia
  • Bochecho intenso
  • Uso de contraceptivos orais pode estar associado ao maior risco de desenvolvimento de alveolite
  • Pacientes portadores de gengivite e periodontite apresentam um risco considerável de desenvolver alveolite 

Logo, é possível concluir que o dentista responsável não deve ser culpabilizado pelo surgimento da infecção sem investigar a verdadeira causa, já que existem diversas possibilidades relacionadas à má conduta do paciente pós-operação. 

3. A alveolite é perigosa? 

Esta é uma pergunta muito frequente quando os pacientes se deparam com esta complicação. A realidade é que a alveolite dentária em si, apesar de bastante dolorosa e perturbadora ao paciente, não é considerada perigosa em termos de riscos de vida. 

Entretanto, existem sim alguns casos que podem ser perigosos devido à possibilidade das bactérias presentes na infecção migrarem, pela corrente sanguínea, para os pulmões, outras articulações, rins e coração, o que pode acarretar danos maiores à saúde do paciente.  

Quando nos pulmões, as bactérias podem causar pneumonia, nas articulações reumatismo articular agudo, nos rins tem-se uma nefrite e no coração pode acontecer a endocardite bacteriana. Portanto, o perigo da alveolite é que pode causar complicações mais graves, o que faz com que, quando detectada, seja tratada o mais precocemente possível. 

4. Principais sintomas da alveolite dentária:

Como foi dito, a dor no local, que se inicia em média 3 dias após a extração, é um dos principais sintomas e, geralmente, o sinal de alerta que leva o paciente ao consultório. Mas, também é possível observar, a depender do caso:

  • Hálito desagradável 
  • Irradiação da dos para outros locais como ouvido, pescoço, têmpora e olhos
  • Sabor desagradável persistente na boca
  • Presença de secreção de pus (em caso de alveolite purulenta)
  • Inchaço, vermelhidão e sensibilidade no local
  • Dificuldade de engolir
  • Aumento do volume dos gânglios linfáticos da região
  • Febre

5. Diagnóstico da osteíte alveolar:

O diagnóstico da infecção deve acontecer o mais precocemente possível para evitar as possíveis complicações que a alveolite pode causar. Dessa forma, é importante que o dentista faça, primeiramente, um acompanhamento com o paciente após a cirurgia, para conseguir detectar, talvez antes mesmo do paciente, alguns sinais de risco. 

Caso o paciente relate dor no consultório, o profissional deve fazer uma avaliação clínica se atentando aos principais pontos: dor intensa, exposição óssea e mau hálito, e também considerar o histórico do paciente, incluindo detalhes sobre a extração recente.

Além disso, para o diagnóstico é relevante que o dentista consiga diferenciá-lo de outras complicações, como Osteíte Fibrótica Localizada, Osteomielite, Granuloma Piogênico, etc., que podem surgir também após a extração dentária, causando dor ao paciente. Caso necessário, o dentista pode fazer exames radiográficos para confirmar o diagnóstico.

6. Qual a conduta odontológica em casos de alveolite?

Em relação ao tratamento desta complicação existem alguns pontos a serem ressaltados. 

O primeiro ponto é que a curetagem do alvéolo não é indicada, pois aumenta as chances de trauma no tecido já sensibilizado, a retirada do coágulo pode atrasar a cicatrização e também pode causar mais desconforto ao paciente. 

Portanto, o mais indicado é que o dentista, primeiramente, irrigue o local com solução salina à temperatura ambiente ou com solução anestésica para alívio da dor, acompanhada de aspiração cuidadosa do líquido. Além disso, pode também utilizar pastas com princípios ativos, antimicrobianos e analgésicos para diminuir o desconforto do paciente e evitar que restos de alimentos se acumulem no alvéolo. 

Já em casa, recomenda-se que o paciente continue com a irrigação diariamente e pode complementar com uso de analgésicos e anti-inflamatórios, para auxiliar no alívio da dor. Em alguns casos pode ser necessário o uso de antibióticos para combater as bactérias. 

7. Prevenção: 

Tão importante quanto às informações de tratamento, as formas de se evitar o surgimento da alveolite devem ser ressaltadas. Em relação ao pós-operatório, é indispensável que o dentista o paciente sobre os cuidados necessários em casa, como: 

  • Evitar bochechos de sucção forte
  • Evitar fumar
  • Realizar a irrigação com solução salina diariamente
  • Manter o local sempre limpo
  • Evitar alimentos e bebidas muito quentes ou picantes
  • Evitar alimentos duros
  • Tomar os medicamentos prescritos corretamente

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