Doenças odontológicas

Afta na gengiva: tudo que você precisa saber!

afta na gengiva

Pacientes relatam comumente o aparecimento de feridas na cavidade oral, como, por exemplo, afta na gengiva. Geralmente, essas feridas causam dores e incômodos ao indivíduo, que pode ter dificuldades para alimentação e fala.

Além disso, as feridas podem desaparecer com o passar do tempo, permanecendo de duas a três semanas na cavidade. No entanto, em alguns casos, estas não desaparecem com o tempo ou ainda se tornam cada vez mais frequentes.

Por todos esses motivos, o profissional da odontologia precisa analisar o caso para entender as possíveis causas da afta na gengiva, conhecendo a fundo sobre o assunto. Confira!

O que é afta na gengiva?

Afta na gengiva

Afta na gengiva é a lesão que atinge a cavidade bucal e se caracteriza por feridas rasas de cor esbranquiçada ou amarelada com bordas avermelhadas elevadas. Portanto, a lesão surge após um trauma no epitélio da mucosa bucal. A partir deste momento, o sistema imunológico inicia sua ação ao tentar defender o organismo.

Com isso, inicia-se a movimentação de, entre outros, glóbulos brancos para a área. Com o passar da resposta, compromete-se a transmissão nervosa do tecido conjuntivo, fazendo surgir os sintomas clássicos da ferida que são a coceira, dor e ardência. 

Ainda, é importante ressaltar que afta pode estar localizada em diversas áreas da mucosa oral, além da gengiva, como a boca e a bochecha.

Como diagnosticar afta na gengiva?

A afta pode ser diagnosticada pelo dentista através do exame clínico, dispensando exames laboratoriais específicos. O profissional, ao analisar a cavidade oral do paciente, pode identificar a lesão e, em conjunto com a anamnese, identificar as possíveis causas da afta a fim de promover o melhor atendimento ao paciente.

Classificação da afta

Para facilitar o diagnóstico, o profissional da odontologia pode fazer uma classificação quanto ao tamanho da ferida, podendo ser:

  • Afta menor: possuem uma média de 1cm de diâmetro e afetam as áreas não queratinizadas da mucosa. Tendem a permanecer na mucosa por até 2 semanas;
  • Afta maior: ulcerações maiores com diâmetros que variam de 3 a 4cm. Seu tempo de duração pode variar de 3 a 6 meses, deixando cicatrizes;
  • Afta herpetiforme: múltiplas lesões simultâneas e se assemelha a lesões da estomatite herpética.

Afta na gengiva é problema?

Muitos pacientes acometidos de afta não recorrem ao dentista. Isso acontece, pois estas lesões desaparecem normalmente após 1 ou 2 semanas, sem causar complicações ao indivíduo.

No entanto, alguns casos de afta não cessam com o tempo ou ainda não deixam de surgir quando estímulos causadores da lesão são retirados. Esses casos precisam de atenção do dentista, pois podem significar complicações patológicas.

Assim sendo, a anamnese deve ser detalhada a fim de conhecer o histórico de saúde do paciente, podendo ainda precisar encaminhar para outros profissionais.

Causas da afta na gengiva

As aftas são lesões no tecido da cavidade bucal e podem ser causadas por diversos fatores, conforme informa o Conselho Federal de Odontologia (CFO).

Primeiramente, a lesão pode surgir decorrente da mastigação, bruxismo, por modificações na composição da saliva, pelo uso de próteses dentárias, escovação dos dentes com força excessiva, uso de enxaguantes bucais e cremes dentais abrasivos, além do consumo excessivo de alimentos ácidos, quentes ou apimentados.

Além disso, condições sistêmicas do paciente também podem acarretar o aparecimento de aftas, como infecção viral, estresse, desequilíbrio hormonal, distúrbios no sistema imunológico e alergia, como, por exemplo, a alguns alimentos. Outrossim, deficiência de vitaminas e minerais (vitamina B12, folato e ferro), doenças no trato gastrointestinal. 

Em alguns casos as feridas estão associadas também ao uso de medicamentos fortes, administrados geralmente para doenças autoimunes, como o lúpus.

Hábitos como o tabagismo e etilismo também devem ser levados em consideração quando o assunto é o aparecimento de aftas, dado que estes também favorecem o desenvolvimento das lesões.

Afta e aparelho odontológico

Uma parte considerável das queixas de aftas pelos pacientes diz respeito ao uso de aparelho odontológico, dado que algumas partes podem machucar a cavidade bucal e gerar as aftas. Por isso, o profissional da odontologia deve ter uma atenção a mais com estes indivíduos. Para estes casos, pode ser recomendado o uso de cera nos braquetes e fios a fim de evitar o contato destes com a mucosa, que podem desencadear a lesão na mucosa.

No entanto, o dentista deve tranquilizar o paciente de que estas lesões costumam diminuir até desaparecer depois de algumas semanas com o uso do aparelho. Isso acontece porque, depois de um tempo, a mucosa bucal se adapta.

Nos casos de aparecimento das feriadas após o início do tratamento, as causas podem estar relacionadas a outros fatores, como o estresse.

Prevenção e tratamento da afta na gengiva

O dentista deverá moldar o tratamento da afta na gengiva conforme as causas. No entanto, geralmente, a reversão do quadro pode se dar apenas com a retirada do estímulo que a causou, como os alimentos ácidos ou diminuição da força durante a escovação.

Para isso, a anamnese do paciente é de fundamental importância para conhecer a realidade deste e compreender quais os possíveis fatores desencadeadores da ferida. A partir disso, o profissional pode recomendar a retirada temporária de cada um dos possíveis fatores até que se descubra a verdadeira causa, que pode ser única ou a junção de duas, ou mais.

As medidas de prevenção e tratamento incluem:

  • Alimentação: evitar alimentos ácidos, quentes, apimentados ou perfurantes, como a pipoca e as cascas de pão; consumir alimentos fonte de folato, ferro e vitamina B12;
  • Higiene bucal: realizar a escovação dos dentes com escovas de cerdas macias e sem aplicar muita força;
  • Bruxismo e uso de aparelhos odontológicos: usar protetores.

Alguns pacientes podem sentir uma diminuição do aparecimento de aftas na gengiva quando usam cremes dentais sem lauril sulfato de sódio ou ainda realizam o enxágue bucal com enxaguantes sem álcool. Por isso, o profissional da odontologia pode recomendar o uso destes.

Para os pacientes com suspeita de anemia, recomenda-se o encaminhamento destes para um médico clínico geral. Ainda, nos casos onde as feridas são herpetiformes, sugere-se o encaminhamento para um clínico especializado.

Prescrição de fármacos

No geral, a conduta do profissional deve se concentrar na diminuição da dor sentida pelo paciente. Para isso, além das medidas de mudanças de hábitos, podem ser administrados alguns fármacos.

Dentre os fármacos, o cirurgião dentista pode prescrever uma formulação com:

  • Betametasona 0,1%: possui ação anti-inflamatória;
  • Ácido acetilsalicílico 2,0%: possui ação analgésica local;
  • Gel de hidroxipropilcelulose 50g: realiza a formação de uma camada provisória que atua na retenção dos medicamentos, aliviando os sintomas.

Para esta, a recomendação é que o paciente passe o gel por até cinco vezes ao dia, utilizando os dedos ou cotonetes levemente umedecidos, o que varia conforme a localização da ferida e a sua facilidade de aplicação. Dado que o medicamento é um corticoide, suas contraindicações são as mesmas da classe medicamentosa. 

O profissional da odontologia deve orientar o paciente que não formule quantidades abundantes do gel, já que, se armazenado por muitos meses, pode haver modificações físico-químicas de sua composição. A exemplo disso, têm-se seus efeitos que são reduzidos e sua cor, que é alterada, deixando de ser transparente. 

Conduta do profissional da odontologia

O papel do dentista nos casos de afta na gengiva consiste em orientar o paciente acerca das medidas de prevenção e tratamento das feridas, assim como prescrever medicamentos quando necessário. Além disso, este possui um papel fundamental na suspeita de causas secundárias à lesão que podem ser sintomas de patologias graves.

Por este motivo, o dentista precisa estar atento aos sinais apresentados pelo paciente a fim de promover a este o melhor atendimento possível.

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